|
HAITI: SOLIDARIEDADE POR UM
PAÍS SOBERANO
A
imensa tragédia do povo irmão do Haiti, depois do
terremoto no último dia 12, chama, em primeiro lugar,
a mais ampla solidariedade e ajuda do movimento operário
internacional.
As
previsões chegam a duzentos mil mortos como conseqüência,
nada “natural”, do desastre natural.
A tragédia revela um país golpeado em sua soberania.
O que impediu o Haiti ter as condições para enfrentar
o terremoto foi a catástrofe econômica, social e política,
resultado do saque ao país promovido pelo imperialismo.
O governo haitiano paga semanalmente mais de um milhão
de dólares a título da suposta dívida externa, enquanto
não existem os serviços públicos e a infraestrutura
- condição para que o Estado pudesse prestar socorro
ao povo. Não existe um Estado soberano.
Há
seis anos ocupado pela Minustah (Missão de Estabilização
da ONU, sob comando brasileiro), nove milhões de haitianos,
toda uma nação, estão subjugados a uma política que
destrói o país. Foi o que apurou a Comissão Internacional
de Inquérito, constituída na Conferência “Defender
o Haiti é defender nós mesmos” (dezembro 2008), constando
a inoperância vergonhosa da Minustah, face a um desastre
anterior provocado por um furacão, com inundações
que destruíram a cidade de Gonaive.
Aí
está a raiz da profundidade trágica das consequências
do terremoto.
A
eloqüência do discurso humanitário que os governos
que saquearam o país fazem agora é para encobrir o
que buscam, aprofundar o esmagamento da soberania
do Haiti, sobre os escombros da tragédia.
Há muito por trás de retórica e orçamentos de “ajuda
humanitária”, o imperialismo promove a destruição
das nações. Por exemplo, em 1998, o Fundo Monetário
Internacional e Banco Mundial exigiram que Honduras
privatizasse portos, aeroportos e sistema de comunicação,
como contrapartida à “ajuda” em consequência do furacão
Mitch. Agora, em função da crise econômica que torrou
10 trilhões de dólares, esta política que imperialismo
aprofunda.
O
presidente Barack Obama convocou os ex-presidentes
Bush (da guerra contra o Afeganistão e Iraque, cujo
governo depôs presidente haitiano, Aristide, em 2004,
iniciando a ocupação) e Clinton ( da guerra contra
a ex-Ioguslávia e, desde 2009, enviado especial da
ONU no Haiti) para “ficarem à frente dos esforços”
após o terremoto. Esses senhores da guerra declaram:
“Ficamos contentes de responder seu apelo (...) Pela
primera vez, o governo do Haiti está comprometido
com a construção de uma economia moderna” (OESP 18/01).
O
governo haitiano entregou o controle da situação aos
EUA. Em comunicado conjunto com a Secretária de Estado
dos EUA, Hillary Clinton, o presidente Préval "pede
que os EUA ajudem conforme for necessário para aumentar
a segurança no país” (17/01). Hillary, ao defender
um decreto que desse mais poderes a Préval, explicou
“o decreto daria ao governo um poder enorme que na
prática eles delegariam”(OESP18/01). Aos EUA, que
fique claro!
O governo Obama tomou diretamente em mãos o controle,
não da reconstrução soberana do país, mas da continuidade
do saque contra o povo.
Mais de 11 mil soldados estadunidenses estão em solo
haitiano, controlam o aeroporto e ocuparam o que restou
do Palácio do governo.
Em consonância com essa política, a ONU aprovou o
envio de mais 3.500 soldados para as tropas da Minustah,
cuja ocupação o ministro Jobim defende que dure, no
mínimo, mais cinco anos.
O que ameça empurrar o Haiti à barbárie não são os
desastres naturais, mas os dispositivos do imperialismo,
agora diretamente sob comando do governo dos EUA.
Mais do que nunca, a solidariedade do movimento operário
internacional para ajudar a reerguer o povo haitiano
se liga à defesa de sua soberania. Mais do que nunca,
“Defender o Haiti é defender nós mesmos”, os povos
e trabalhadores oprimidos pelo imperialismo:
Anulação imediata da dívida externa!
Restituição ao povo da plena soberania,
fim da ocupação!
O Haiti precisa de médicos, engenheiros
e não de soldados!
Abertura de todas as fronteiras para
os cidadãos haitianos!
|