SOBERANIA
Em 6 de maio, na Grécia e na França, como expressão do vigoroso movimento de resistência, o povo rechaçou, nas urnas, os planos de austeridade para salvar o capitalismo de sua crise. A Europa está assolada pelos planos ditados pela “troika” (União Europeia, Banco Central Europeu e FMI), servilmente aplicados por governos de diferentes matizes políticos, sob as ordens do imperialismo estadunidense, à custa de sacrifícios impostos aos povos e do esmagamento da soberania de nações diretamente dirigidas pelas instituições internacionais do imperialismo.
Tudo para impor a “ditadura da dívida”, disciplinando as economias às necessidades da especulação financeira que gerou a crise, com planos de privatizações, cortes orçamentários e ataques aos direitos, para reduzir o custo do trabalho.
Em nosso continente, foi a ditadura da dívida que promoveu a rapinagem das privatizações, alienando as nações do controle de suas riquezas. Mas, em sua luta, os povos levam governos a adotar medidas no sentido de recuperar o controle das riquezas nacionais e em defesa dos trabalhadores.
Como, por exemplo, a retomada parcial, pelo governo da Argentina, da YPF (estatal do petróleo privatizada na década de 1990) e o decreto de Evo Morales no 1º de maio, retomando, para o estado boliviano, o controle da distribuição de energia elétrica. A luta dos trabalhadores na Venezuela levou o governo Chávez a adotar uma nova Lei Orgânica do Trabalho, que acaba com as terceirizações e estabelece a jornada de 40 horas, na contramão da receita do imperialismo de redução do custo do trabalho.
As medidas econômicas para salvar o capital de sua crise é apenas uma face da moeda da sobrevivência do sistema baseado na propriedade privada dos grandes meios de produção.
A outra face são as guerras e ocupações para desagregar as nações em benefício dos interesses das multinacionais.
É essa face que, há oito anos, esmaga a soberania do povo do Haiti, submetido ao terror das botas e dos tanques das tropas da ONU, na ocupação decidida pelo imperialismo dos EUA.
Nas condições mais difíceis, o povo haitiano se mantém em pé e luta pelo fim da ocupação. O governo Dilma fala em proteger o Brasil dos efeitos da crise. Mas salvar o país e os trabalhadores coloca uma questão incontornável: é preciso uma política de soberania contra os interesses do imperialismo que geram a crise.
Como, por exemplo, romper com a “tarefa” assumida há oito anos pelo governo brasileiro, com o então presidente Bush, de comandar as tropas de ocupação do Haiti, em choque com os interesses do povo haitiano e também do povo brasileiro.
A luta do povo haitiano pelo fim da ocupação diz respeito à todos os povos do continente que lutam contra a política destruidora do imperialismo. No dia 1º de junho, a ela se somarão, em diversos países, os trabalhadores e suas organizações na jornada continental pelo fim da ocupação do Haiti.
No Brasil essa jornada vai se dirigir à presidente Dilma: respeite a soberania do povo haitiano e retire já as tropas brasileiras do Haiti!
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