NÃO É INEVITÁVEL
Nessa última edição de 2011, é momento de lançar elementos de balanço e perspectivas para o próximo ano.
O Banco Central acaba de anunciar que a atividade econômica encolheu pelo 3º mês consecutivo e, em outubro, teria tido uma queda de 0,32%. A FIESP anunciou que, em novembro, a indústria paulista fechou 46,5 mil postos de trabalho.
Diante dos alarmantes índices de regressão que atingem os países europeus, alguém poderia dizer que esses dados não assustam. A questão não é de tamanho, mas para que direção está indo o Brasil?
Na primeira onda da crise, no segundo semestre de 2008, quase dois milhões de trabalhadores foram demitidos no Brasil. E agora poderia ser diferente? Sim, desde que o governo Dilma não aplique a mesma política que é aplicada nos países europeus para salvar os bancos, alimentando a especulação, que está na base da própria crise.
Na política, e na economia, nada é inevitável, a não ser a oposição entre os interesses do capital e do trabalho. Medidas restritivas, cortes de gastos públicos, privatizações ou bloqueio de salários, isso tem que acabar, é preciso mudar a direção da política do governo.
Uma escolha deve ser feita: atender os trabalhadores e a nação ou os capitalistas e o imperialismo.
Os capitalistas querem mais ajuste para sua orgia especulativa, os trabalhadores mais salários, mais serviços públicos, terra para quem nela trabalha.
Os capitalistas querem menos direitos para rebaixar o custo país, os trabalhadores defendem seus direitos duramente conquistados.
Os capitalistas exigem a entrega de empresas estatais para ganharem mais lucros, mas à nação interessa a defesa do patrimônio público. O alerta amarelo é um alerta ao governo!
Em particular, à presidente Dilma! Eleita pelos trabalhadores e pela maioria oprimida, é eles quem ela deve atender. Os mal chamados “parceiros” de governo irão chiar, Dilma pode se livrar deles, pois estão incrustados no governo para garantir os interesses dos capitalistas. De Dilma, do PT, o que se espera é outra política, que defenda a nação e os trabalhadores brasileiros dos efeitos da crise.
O alerta é também um alerta ao PT. Em 2011, os trabalhadores mostraram que paciência tem limite. Partidos eleitos para falar em seu nome, como o PSOE, na Espanha, sofreram uma tremenda derrota imposta pelos trabalhadores que, com suas greves e mobilizações, sacodem a Europa. Para preservar-se, é preciso que o PT exija do governo uma política que preserve os interesses da classe trabalhadora e da maioria oprimida do país.
Em 10 e 11 de dezembro, realizou-se o 4º Encontro Nacional do Diálogo Petista, iniciativa que reúne militantes de diferentes origens, e da qual a Corrente O Trabalho participa em igualdade com outros petistas. Suas discussões e conclusões, que apresentamos nessa edição, visam preparar reuniões locais no início de 2012, que estarão abertas a todos os petistas. Reunir, discutir e organizar a luta.
Como disse uma companheira no 4º encontro: “O PT não é só de dirigentes, ele é formado por uma militância que vai ocupar as ruas”.
SAIU A VERDADE Nº 71
Sai na segunda semana de dezembro a revista A Verdade, com textos que discutem o verdadeiro significado da atual crise do sistema capitalista que hoje inunda a Europa, a resistência dos trabalhadores e os processos revolucionários em curso, como na Tunísia. Procure um colaborador do jornal O Trabalho e adquira o seu exemplar!
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