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O maior artista simonense de todos os tempos

Alexandre Robazza*



Antes que me acusem vamos aos necessários critérios:

1 – Ser um artista com obra própria

2 – Ser artista com obra reconhecida na cidade e fora dela

3 – Ter obra com impacto cultural e social no município e fora dele.

4 – Ser um divulgador da cidade no “mundão afora”.

5 – Ser um apaixonado pela terrinha


E se você, caro leitor desavisado, foi pelo caminho fácil, tenho que lhe puxar as orelhas. Não, não é Marcelo Grassmann! Com toda a reverência e reconhecimento que Marcelo merece, o meu voto de juiz deste “paredão” vai para outro grande artista da simonéia, um artista que cumpre os 5 critérios com excelente desempenho e que tive a sorte, a honra e a alegria de ter convivido em diversos momentos, momentos que relatarei abaixo e que certamente me fazem ser tremendamente parcial no meu julgamento. Marcelo que lute!


Ato 1 – Começando errado, mas ele já estava lá

Tenho nítidas as cenas de quando era criança, menos de 10 anos, e tentava acompanhar os traços que este artista, ainda jovem, tentava me ensinar na arte da pintura em tecido. Sim, meu primeiro contato com ele foi na posição de aluno. Um mal aluno, diga-se. Não deu certo, abandonei as aulas particulares muito rapidamente, antes de saber se tinha vocação. Claro, não foi por culpa dele, que mesmo jovem já era talentoso a ponto de ganhar dinheiro com aulas de pintura. O artista nasce cedo, e este foi muito precoce.


Ato 2 – Ah, a gincana do Grupo; e ele já se destacava.

A gincana do Simão da Silva era mais que um evento para uma criança da quarta séria. Tratava-se de um acontecimento único, grandioso, que deixava marcas profundas. Nosso artista, obviamente, lá se destacava, como líder de equipe, como roteirista da peça de teatro, como produtor, como figurinista, como ator e cenógrafo. Ali surgia um artista com A maiúsculo, completo, com talentos múltiplos. Naquela época ele fazia a régua subir. As equipes concorrentes tinham que se desdobrar nas disputas artísticas e isso fez muito bem àquela geração.


Ato 3 – A cidade ficou pequena

Com o tempo a cidade ficou pequena. Nosso grande artista ganhou o mundo, passou por vários continentes, apurou sua arte, ganhou prêmios. Se tornou um dos grandes representantes de uma arte oriental, uma arte de pós guerra, icônica e sensível, que lhe marcou do tamanho de um sobrenome.


Ato 4 – O Secretário de Cultura

Em determinado momento, já reconhecido, virou Secretário Municipal de Cultura. Foi nesse momento que o reencontrei, depois de muitos anos, e tive a honra de ter trabalhado com ele. Nos dois longos anos aprendi muito e me inspirei muito com ele. Primeiro quando entendi o que era ser apaixonado por sua terra. O vi chorar diante de um órgão jogado no gramado da Igreja Matriz, queimado pelo próprio pároco. Era um órgão velho, mas fazia parte da nossa história, está lá “catalogado” no livro do Fausto Pires. Ele reconheceu o órgão quando caminhava em direção ao trabalho, parou, chorou, enlutou-se. “Excomungamos o meliante”, um forasteiro insensível, o que de nada adiantou, a não ser, prá mim, entender o nosso bairrismo, o nosso ufanismo, entender o que é ser simonense, ligado à história, ao pertencer. Ele me mostrou esse propósito, com suas lágrimas de tristeza e raiva. Mas, aquele também foi um tempo de muitas alegrias, especialmente na criação e organização da Weindorf – A Festa do Vinho. A ideia obviamente veio dele e se tornou o grande momento de celebração de nossa história e tradição. Um resgate que só um ufanista apaixonado por suas raízes poderia propor.


Ato 5 – O item 3

Sobre Marcelo, o Grassmann, o nosso personagem tem uma inconteste vantagem relativo ao item 3 de nossos poucos isentos critérios. Não é “Delirivm” algum o legado social e cultural que ele construiu e que mudou a vida de tantos simonenses. Seu grupo de teatro - que corre o país - virou uma grande bandeira de valorização da vida pós 60, exemplo para o Brasil, orgulho da terrinha nas telas e páginas das principais TVs e jornais.



Bom, se até agora você não sabe de quem estou falando, pode ser porque você esteja perdendo seus melhores vínculos com a terrinha. Mas se você matou de cara, tenho certeza que foi porque em algum momento foi sensibilizado, atingido, afetado pela genialidade deste simonense. De minha parte, tendo que resumir aqui todo o meu aprendizado com ele, só posso dizer que a genialidade deste artista me fez ser um cidadão melhor, mais sensível, mais apaixonado, mais criterioso e exigente, uma pessoa mais completa e madura. Obrigado meu amigo!

Alexandre Robazza é publicitário, Mestre em Hospitalidade e Turismo. Foi Secretário Municipal de Turismo de 97 a 99. Atualmente é Gerente de Relacionamento do SEBRAE SP.



Caso ainda não saiba de quem se trata "O maior artista simonense de todos os tempos", clique aqui e veja a biografia do "personagem" no site www.museus.cultura.gov.br

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