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Ovídio Carramaschi

Anna Clara (*)



Ovídio Carramaschi

Ovídio era um senhor navegante em busca de sonhos; nasceu em Mantova, Itália. Era o quinto filho de André e Suzanna, marido de Rosa Bosi e pai de doze filhos, dentre eles, minha trisavó, Dirce Carramaschi. Em 1889, após presenciar sua própria nação afundada em períodos incessantemente conturbados de profundas incertezas; ouviu dizer que havia um território, do outro lado do Oceano Atlântico, que estava gabando-se com as ascensões dos imigrantes, trabalhos e benefícios. “Santo Antônio de Pádua, há de nos guiar”. - E assim, empenhado em oferecer comodidade, marchou em direção ao infinito de possibilidades, trazendo consigo sua mulher e seus pequenos. As inseguranças percorram o grande Oceano Atlântico por quase quarenta dias; possuíam fome, medo, frio. Contudo, também estavam rodeados de cantigas, histórias e crenças de outros tripulantes, permitindo que suas almas fossem alimentadas com, sobretudo, esperança de que melhores oportunidades estavam por vir.


Chegaram ao Brasil em 1890 acompanhados por outros trinta e um colegas, que assim como Ovídio, estavam vindo do Norte da Itália, para trabalharem nas vastas fazendas de café, localizadas no interior de São Paulo. Logo, seus objetivos começaram a se concretizar; ele e sua família compraram sua casa em meio ao cerrado, sendo um dos primeiros moradores daquele povoado - que mais tardar se chamaria Bento Quirino. Apaixonou-se pelo que, agora, poderia chamar de, finalmente, lar. Com trabalho, mãos cansadas e suor, construiu o primeiro estabelecimento do pequeno lugarejo, logo, transformado em Armazém de Secos&Molhados, onde fornecia mantimentos aos colonos de café. Auxiliou os residentes das proximidades a construírem casas, oficinas, comércios, pequenas fábricas; instalou um moinho de moagem e uma indústria de sabão.


Ovídio, posteriormente, voltou à Itália para o casamento de seu filho mais velho, Alfredo. Encontrou familiares que há tempos não os via, propagou de como era lindo o céu do cerrado e como, por fim, encontrou sua morada; encantando-os com os relatos. Logo, regressou de volta à Vila, trazendo consigo, uma grande imagem de Santo Antônio de Pádua, para que, com ajuda dos filhos e moradores, fundassem a primeira capela. - Hoje em dia, a capela se tornou a Igreja Matriz.


Ovídio serviu, amou. Batalhou para que a Vila abrigasse os mais bonitos sonhos já idealizados por seus moradores. Persistiu para que o céu deste cerrado contemplasse cada oração que fosse dita por seus habitantes. Faleceu aos oitenta anos, em 1929, deixando sua herança para os filhos e netos.


Ovídio me fascina porque é anterior ao tempo. Ainda é parte da eternidade; seus feitos e suas memórias estão presentes em cada paralelepípedo de Bento Quirino - a pequenina vila que o chamou de lar.



(*) Anna Clara Porto de Souza é hexaneta de Ovídio (sexta geração).

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