No
momento da operação de resgate
dos reféns das Farc na Colômbia,
com a participação dos EUA, o
“The New York Times”, em artigo intitulado “Silenciosamente
Brasil ofusca Venezuela”, felicita-se pelo distanciamento
de Lula em relação a Hugo Chávez,
cuja influência, segundo o jornal norte-americano,
se limitaria a “um punhado de nações
mais pobres”, como a Bolívia e Cuba.
Apesar de diferenças que se possa ter
com o governo venezuelano, ao reestatizar a
Sidor (siderúrgica), Chávez respondeu
positivamente à mobilização
que os trabalhadores iniciaram de forma independente.
Apesar de diferenças que se possa ter
com a política de Evo Morales, ao resistir
à ofensiva das oligarquias pró-imperialistas
para dividir o país, o governo da Bolívia
responde aos interesses do povo que quer viver
como nação soberana.
O que significaria não ficar ao lado
de “um punhado de nações pobres”?
Significaria querer um lugar na mesa do G8,
grupo dos países mais ricos, para manter
o Brasil submetido à política
deles? Seria buscar assento no Conselho de Segurança
da ONU, controlado pelos EUA, e para tanto enviar
tropas de ocupação ao Haiti?
Como disse o deputado estadual Adriano Diogo,
do PT-SP, em sua entrevista, essas tropas no
Haiti fazem o mesmo papel das que ocupam o Iraque.
Nas
Plenárias Estaduais da CUT que elegeram
delegados à Plenária Nacional
de agosto, foram adotadas resoluções
em defesa do petróleo e do gás,
em apoio ao plebiscito oficial pela anulação
do leilão da Vale e pela retirada das
tropas do Haiti. O que demonstra amadurecer
a exigência de uma política que
corresponda aos interesses dos trabalhadores
e da nação, que se chocam com
a política ditada por Washington.
Uma
política que rompa com os interesses
do capital especulativo, que é responsável
pelo aumento do preço dos alimentos,
que pare de beneficiar o agro-negócio
e de permitir a invasão do capital estrangeiro
comprando terras no Brasil.
O governo Lula, para atender as reivindicações
dos trabalhadores e os interesses da nação
brasileira, deve distanciar-se, na verdade,
dos interesses do imperialismo que empurra os
povos à fome, inclusive no Brasil, e
não da Venezuela ou do “punhado de nações
pobres”!.
Na campanha para as eleições de
outubro, como responder aos problemas municipais
sem enfrentar a política nacional que,
em benefício do pagamento da dívida,
com a Lei de Responsabilidade Fiscal, esmaga
Estados e municípios?
Esta edição traz a declaração
de candidatos a vereador pelo PT que diz: “a
única saída para a nação
é um Governo do PT que rompa com as exigências
dos especuladores e do imperialismo, para atender
as reivindicações populares”.
Declaração submetida à
discussão e a novas adesões de
candidatos, ela se soma à campanha dirigida
a Lula pela retirada das tropas brasileiras
do Haiti.

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