OS DESAFIOS DO NOVO ANO
2011 começou com a irrupção da revolução na Tunísia, no norte da África, e terminou com uma situação de tipo revolucionário na Grécia, em solo europeu.
O que nos reserva 2012?
Todos os sinais, que os comentaristas confirmam, são de aprofundamento da crise capitalista, agora centrada nos países da União Européia, a qual a classe trabalhadora não cessa de resistir, malgrado os golpes sofridos.
Numa crise desta envergadura, nenhum continente fica imune. Com os países centrais em vias de recessão, as multinacionais e os especuladores procuram recuperar suas margens explorando mais outras praças.
Por isso, toda América Latina está submetida às pressões comerciais e especulativas do imperialismo que, no limite, questionam direitos sociais e nacionais, e, em alguns casos, algumas conquistas populares.
É o caso do Brasil. Senão, como entender o anúncio, pelo governo Dilma, da privatização de três aeroportos para grupos internacionais?
Afinal, aqui, como produto do movimento social que levou a eleição de Lula, a situação era de freio, com exigências de reversão da “privataria tucana”.
Questão chave: se passar essa privatização, virão novas e maiores exigências de concessões ao “mercado”. Aí esta a primeira responsabilidade do PT.
E, de outro modo, da CUT, no seu próprio terreno. Confrontar a privatização defendendo outra política, que não seja refém do “mercado” e dos aliados da “coalizão”, o que este governo deve e tem apoio para fazer: - Intervir no câmbio para proteger o parque industrial, recuperar os empregos perdidos neste setor e aumentar os salários. Derrubar a taxa de juros e abandonar o superávit primário para pagar uma dívida que consome quase metade do Orçamento da União, para investir de fato no mercado de consumo interno, com a expansão qualificada dos serviços públicos e a realização da reforma agrária.
Esse programa de soberania nacional se desdobra numa plataforma de reivindicações locais para as próximas eleições municipais, que as reuniões do “Diálogo Petista” agora
discutem. Discutem para tirar conclusões para a luta de classe (e apresentar às instancias do PT).
Conclusões como a luta para retirar as tropas do Haiti, para revogar a lei privatizante das Organizações Sociais e outras mais, destacando a necessidade de candidaturas próprias do
PT para puxar alianças com setores populares dispostos a sustentar aquela plataforma.
Para isso será preciso desembaraçar-se dos laços de governo com essa elite proprietária, reacionária e corrupta, bem simbolizada pelo PSDB-DEM, mas espalhada em vários partidos da “coalizão”.
O desafio não é pequeno. O PT, que nasceu com um desafio que não era menor, tem agora seus merecidos 32 anos comemorados pela direção com atos apenas festivos. Eles não poderão esconder a notória descaracterização, pelas alianças descabidas, e a degeneração sob vários aspectos.
A reflexão do companheiro Olívio Dutra, que temos a honra de publicar nesta edição, mostra que existe uma discussão a fazer no PT com a militância, cuja continuidade queremos resgatar junto com o Diálogo Petista e todos companheiros fiéis à história do PT.
É uma necessidade para a luta de classe.
SAIU A VERDADE Nº 71
Na última edição de A Verdade, revista teória da 4ª Internacional, o artigo, “A 4ª Internacional e as questões-chave da Revolução na Tunísia” de Lucien Gauthier, analisa o processo em curso nesse país. Em várias cidades ocorrem atividades de lançamento, com debate. Em Fortaleza, Recife e Cuiabá, eles aconteceram em dezembro.
Outros lançamentos estão previstos: em Salvador (BA) e São José dos Campos (SP), no próximo dia 28, e em Curitiba (PR) em 25 de fevereiro. Compre sua revista participe dos debates! Também nessa edição, o artigo a “Crise da dívida?” Não! Um sistema em agonia”, de Daniel Gluckstein e Pierre Cize, discute a situação a qual estão confrontados os trabalhadores em todo mundo.
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