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No
próximo dia 28 de maio, completam quatro anos do envio
das primeiras tropas brasileiras ao Haiti e Lula anuncia sua
presença no país nessa mesma data.
O Comitê de Continuidade do Segundo Encontro Continental
do México (4 a 6 de abril, 2008), acolhendo proposta
feita por Markus Sokol, Misa Boito e Julio Turra, membros
da delegação brasileira, enviou mensagem a todos
os delegados dos países presentes no Encontro.
A mensagem propõe que no dia 28 de maio sejam organizadas
delegações às embaixadas brasileiras
para renovar, junto ao governo, um pedido de resposta ao militante
David Josué que, em Carta a Lula, depois de relatar
os crimes cometidos pelas tropas de ocupação,
pergunta: “você e seu governo ficarão silenciosos
sobre essas atrocidades ?”
Essa carta foi entregue ao governo brasileiro no dia 30 de
abril.
Uma campanha de divulgação e apoio à
essa Carta de David Josue afirma que a única resposta
do governo
Lula a todo povo haitiano e brasileiro deve ser a imediata
retirada das tropas do Brasil que comandam a ocupação
da ONU no Haiti.
Na contramão do respeito à soberania do povo
do Haiti, com a retirada das tropas, a Comissão de
Constituição e Justiça e de Cidadania
(CCJ) aprovou, em 6 de maio, a pedido do governo Lula, a ampliação
do número de soldados no país, prevendo o envio
de mais cem militares da Companhia de Engenharia do Exército,
aumentando para 1,3 mil o total de brasileiros na missão.
a pedido da
ONU, sob as ordens de Bush
O
envio de mais soldados é a resposta às pressões
da ONU, que vem contando com o governo brasileiro na linha
de frente da defesa dos interesses do governo dos EUA, que
estão por trás dessa ocupação.
Depois das mobilizações no Haiti em abril contra
a fome, reprimidas pelas tropas de ocupação,
buscando dar um verniz menos militar e policialesco aos “soldados
da paz”, a ONU afirma agora que busca como prioridade
apoiar a realização de obras de infra-estrutura
no Haiti.
Mas
a realidade econômica e social do país mostra
que a verdadeira face da intervenção é
impedir que o povo haitiano lute pelas suas reivindicações.
Um militar membro da tropa brasileira que chegou ao Haiti
em 2005, o sargento Ivano José Hoegen, diz: “Achamos
que ia ser uma missão de paz, mas vivemos combates
reais” (FSP, 19/05/2008).
O governo brasileiro que alega não ter recurso para
resolver as carências do povo brasileiro já gastou,
em quatro anos de ocupação, quase meio bilhão,
464 milhões de reais foram gastos para atacar a soberania
de outro país.
Valor que até o final desse ano deve chegar a R$ 545,5
milhões, com a execução do empenho de
R$ 89 milhões previstos no Orçamento de 2008.

Miguel
Alandia |