ÓRGÃO DA SEÇÃO BRASILEIRA DA 4ª INTERNACIONAL - CORRENTE O TRABALHO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES
 
CARTA DIÁLOGO No. 1
  “Unir os povos com soberania”
  Um debate aberto entre os petistas
 

De diversos pontos, começam a chegar à redação registros de discussão da Carta Diálogo No.1 (28/02/08), publicada por Markus Sokol, membro do DN-PT, com cinco lideranças de vários Estados.

Ela parte do contraste da revolução na Venezuela e Bolívia com o papel a que se presta o governo Lula. Nada mais atual, após a escalada de março de Uribe-Bush contra os governos do Equador e Venezuela, seguida da visita de Condoleezza Rice ao Brasil.

A Carta conclui com o apoio ao 2º Encontro Continental, uma plataforma e iniciativas dirigidas a Lula no sentido de romper toda “parceria” com Bush (v. JOT 635).

Nesse sentido, a Carta não pede apenas uma assinatura, ela visa o agrupamento.

Mercosul em questão

Um exemplo foi a discussão com a militante de uma corrente do PT no interior de SP. De saída, ela achou importante “unir forças”, como disse, “num quadro de respeito mútuo às posições de cada um”.

Questionou, no entanto, a exigência da ruptura com o Mercosul, pois, “assim como estamos unindo forças”, também era preciso “unir forças contra os EUA”.

A discussão mostrou que, sim, é preciso unir as forças dos trabalhadores e povos e não opor os latino-americanos aos estadunidenses. Entretanto, o Mercosul não é isso, mas sim a abertura das fronteiras para o livre-comércio dentro dos países associados, portanto, para as subsidiárias das multinacionais e grandes empresas.

A companheira concluiu: “então, vocês são a favor de unir forças, sim, mas cada um com sua soberania?”

É um entendimento correto da Carta Diálogo. Aliás, foi o que se passou em outros processos: a união livre de repúblicas soberanas foi um aspecto da Revolução Russa.

A companheira concordou que o Mercosul era um problema, mas reafirmou que a Carta Dialogo precisava explicar mais, e que somos pela união entre os povos. A proposta que saiu então foi a seguinte emenda: “Queremos, sim, a união livre entre os povos, o que é o oposto do Mercosul”, explicando, dessa maneira, o
que é essa variante do livre comércio.