PIERRE LAMBERT NARRA O INÍCIO DE SUA MILITÂNCIA
(1)
Eu
tinha 13 anos e meio (...). Em 12 de fevereiro de 1934 houve
a greve geral. As passeatas do PC e do PS (SFIO) se uniram.
Eu ignorava o que era a política do PC do “terceiro
período”, que denunciava a SFIO como “social-fascista”,
mas fiquei impressionado com a demonstração
de unidade. (...)
Alguns jovens, pouco mais velhos que eu, estavam nas Juventudes
Comunistas e me propuseram pichar muros contra o aumento
do serviço militar para dois anos: “Abaixo
a guerra! Abaixo os dois anos!”. Aí começou
meu compromisso político. (...) Em junho de 1936
se dá a irrupção do proletariado francês,
que havia sido esmagado quando da Comuna de Paris. (...)
Trotsky escreveu: “A revolução francesa
começou”. Eu estava totalmente de acordo. Em
1936 levantaram-se milhões. Essa foi a minha juventude,
a de milhares que entraram no PCF. (...)
Em 1936, minha geração entrava no período
em que, com ou sem acordo político com ele, subscrevíamos
a fórmula de Marceau Pivert, dirigente da Esquerda
Revolucionária do PS (SFIO): “Tudo é
possível”. Todos
estávamos de acordo com isso, inclusive os jovens
que iriam constituir os “delegados” operários
que, em sua maioria, filiariam-se ao PC. E isso no mesmo
momento em que Thorez, em nome do PC, declarava: “É
preciso saber terminar uma greve”.
Ao
final de 1936, La Rocque, chefe da organização
reacionária Cruz-de-fogo, recomeçou a fazer
reuniões em salas de cinema. (...) Os TPPS (“Sempre
prontos a servir”, serviço de ordem do PS)
iam desalojá-los. Aí houve o massacre de Clichy,
no qual rapazes e moças do TPPS caíram frente
a balas da polícia. O que provocou imediatamente
uma reação, pois era o governo Blum (...).
A Esquerda Revolucionária reuniu-se na rua Cadet,
á noite, e houve a discussão: ficamos ou vamos
embora? Eu era a favor de ir embora. (...) Foi talvez o
ato que me fez adquirir consciência política.
(...)
A
segunda coisa importante nessa tomada de consciência
foi o que ocorreu em Barcelona, em maio de 1937. (...) Tinham
ou não razão os revolucionários ao
pegar em armas para defender as conquistas da revolução
operária e camponesa de julho de 1936? Foi a primeira
manifestação diretamente política independente
de minha vida. Eu apoiava a insurreição, pensava
que tinham razão de levantar-se contra os
stalinistas para salvar a revolução espanhola.
Todos os camaradas do grupo estavam em desacordo. Confesso
que, dias depois, quando li que Trotsky justificava a insurreição
de Barcelona, senti-me orgulhoso!
Em 20 de agosto de 1936 (...) eu li no Humanité (do
PC) as infames calúnias contra Zinoviev e Kamenev.
Foi para mim um golpe brutal.
Ao
todo houve cinco acontecimentos que determinaram meu compromisso:
fevereiro de 1934, junho de 1936, os julgamentos de Moscou,
o massacre de Clichy e o maio de 1937 de Barcelona.
(1) Extratos de “Itinéraires”,
livro de entrevistas com
Daniel Gluckstein. Editions du Rocher, París, março
de 2002.