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UM COMPROMISSO CONTRA O PT
Esse “prato feito”, oferecido à militância petista,
não vai ser digerido
A
reunião entre representantes da cúpula petista e do
PMDB, no dia 21 de outubro, representa um passo à
frente em direção oposta às responsabilidades e tarefas
de um partido nascido para representar os trabalhadores.
Do encontro, que selou a proposta de uma chapa PT-PMDB
à presidência da República, saiu um comunicado conjunto
que nenhum petista, comprometido com os interesses
dos trabalhadores, irá comemorar. Bem ao contrário,
as “premissas” de tal comunicado estabelecem um estreitamento
entre dois partidos de naturezas distintas, o que
só vai aprofundar as já sentidas consequências de
uma política de “governabilidade” que, na prática,
serve para preservar os interesses das classes capitalistas.
O comunicado estabelece premissas como: “Construir
aliança programática e eleitoral para o pleito presidencial;
Os dois partidos comporão, necessariamente, a chapa
de Presidente e Vice, a ser apresentada ao eleitorado
brasileiro”. Depois de garantir o lugar na chapa majoritária,
o PMDB ainda é brindado com a garantia de participação
na elaboração do programa e coordenação da campanha!
Fato
inédito na história do PT, a cúpula petista decidiu
“dividir” com o PMDB, historicamente representante
de interesses opostos aos do PT, a condução da disputa
eleitoral em 2010.
Para
justificar esse passo, um verdadeiro golpe em toda
militância que, em tese, estaria chamada a discutir
e decidir sobre a política de alianças, o surrado
discurso de sempre: tal aliança é necessária para
garantir a vitória em 2010. Mas, então, é o caso de
perguntar: vitória de quem? Aí vem o segundo argumento,
tais alianças são necessárias para garantir a governabilidade.
Mas, então, é o caso de perguntar: governabilidade
para quem?
Na questão, crucial para a nação brasileira, que é
a de enfrentar a brutal concentração de terras, se
expressa um dos lados mais trágicos dessa política.
O
presidente Lula assumiu, publicamente, no final de
agosto, com o MST, a promessa de atualizar, até o
início de setembro, os índices de produtividade da
terra. Seu ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes,
do PMDB, fiel representante dos ruralistas, disse
que não assina a portaria, e o presidente, até agora,
não honrou com a promessa. Se o PMDB já tem tanta
força assim, com o tal do compromisso assumido, alguém
pode acreditar que a “elaboração” do programa de governo
vai contemplar as demandas pela reforma agrária?
Esse
“prato feito”, oferecido à militância petista, não
vai ser digerido. Afinal, são esses militantes que,
no dia a dia das lutas, estão nos acampamentos, assentamentos
e apoiam as mobilizações do MST pela reforma agrária.
São os militantes do partido, que sempre combateram
a grilagem de terra, que estão confrontados ao vergonhoso
coro feito contra a ocupação da Cutrale.
A todos esses militantes que seguem fiéis aos interesses
e à luta dos trabalhadores, as chapas Terra, Trabalho
e Soberania se dirigem. Nossa luta passa pelo PED,
mas não termina aí.
A
classe trabalhadora, que com sua luta já impôs vitórias,
como a que levou o PT à presidência, não irá se disciplinar
por compromissos contrários aos seus interesses, assumidos
em seu nome.
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