ÓRGÃO DA SEÇÃO BRASILEIRA DA 4ª INTERNACIONAL - CORRENTE O TRABALHO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES
 

EDIÇÃO Nº 640 - 24 de junho a 8 de julho de 2008

Violência e fome:

é inevitável ?

Editorial

Alta de preços e violência

A crise econômica mundial, originada nos EUA com a “crise imobiliária” (que revela o impasse do sistema capitalista), já impacta o Brasil.

A alta no preço dos alimentos golpeia duramente o povo. Segundo dados do DIEESE, o item alimentação subiu mais de 14% em um ano, afetando mais os menores salários.

Diante da volta da infl ação, a resposta do governo Lula foi aumentar os juros e o superávit primário para “desaquecer a demanda” - a culpa seria do povo que está consumindo muito!

Em 19 de junho, diante do Banco Central em Brasília, a CUT e a UNE protestaram contra a política de Meirelles, o presidente do BC bancado pelo governo Lula. Artur Henrique, presidente da CUT, falou que “os gastos públicos com saúde, educação e segurança precisam aumentar, e não diminuir”, enquanto Spis, também da CUT, relacionou os juros e o superávit primário com os leilões de petróleo, que entregam às multinacionais a riqueza que poderia ser utilizada em benefício do povo.

Dias antes, a Executiva Nacional da CUT começou a discutir o papel do Estado face à alta dos alimentos. De fato, não seria o caso de intervir para garantir o abastecimento das camadas populares? Não é hora do governo Lula tabelar os gêneros de primeira necessidade?

Há três anos, quando a Varig quebrou, Lula recusou a estatização, única forma de preservar milhares de empregos e o patrimônio nacional, em nome de “uma solução de mercado”.

Deu no que deu: demissões em massa, desnacionalização e agora o escândalo da VarigLog.

Nesse caso dos alimentos, também vai deixar o “mercado”, isto é, os especuladores jogarem com a fome do povo?

Enquanto isso, no Rio, oficiais do Exército, que ocupa o Morro da Providência, entregam jovens para
serem assassinados por trafi cantes, num ato que o próprio governo declarou “inaceitável”.

Mas seria “aceitável” atos de agressão semelhantes contra gente do povo sejam praticados pelas tropas de ocupação brasileiras do Haiti?

Já são milhares de brasileiros que endossam a exigência de que Lula retire as tropas do Haiti e que responda às denúncias de atropelos aos Direitos Humanos naquele país.

A alta dos alimentos e a defesa da soberania dos povos são duas questões que pedem que o governo Lula rompa com sua atual política de submissão ao “mercado”, na verdade às exigências do imperialismo.

A Corrente O Trabalho acaba de realizar o seu 27º Encontro Nacional que teve no centro esta discussão. Ela se integra plenamente as questões hoje debatidas, e medidas concretas adotadas, pelo movimento dos trabalhadores, tanto na preparação da 12ª Plenária Nacional da CUT (agosto), como através de candidaturas petistas para as eleições municipais de outubro.

Reforce O Trabalho: difunda o jornal, integre a Corrente!

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CORRESPONDÊNDIA

Raposa Terra do Sol

Leitora enviou opinião sobre a demarcação das terras indígenas:


Roraima, um estado brasileiro eminentemente indígena com população de 48.953 índios distribuídos em 32 terras homologadas entre Serra, Lavrado e Floresta. A fronteira com a Guiana é habitada por cerca de 20 mil índios, região da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol- TIRSS.

A TIRSS é objeto de disputa. Em 1998 foi publicada a Portaria 820, que declara como posse permanente indígena a terra Raposa/ Serra do Sol; 1999, a demarcação passa a ser contestada judicialmente; 2005, o presidente Lula assina decreto que homologa de forma contínua a TIRSS; 2007 são negadas duas liminares que pedem a suspensão da portaria que demarca a terra indígena; março de 2008, o procurador da República, Antônio Fernando Souza encaminha recomendação ao presidente e ao Ministro da Justiça para retirada dos ocupantes não-indígenas da TIRSS; abril de 2008 STF suspende operação de retirada dos não índios (arrozeiros) da reserva, impedindo que a Polícia Federal dessa continuidade à Operação e até
o momento o STF não se posicionou.

Nos meios de comunicação buscam incutir nas pessoas a idéia de que a permanência dos índios em suas reservas é prejudicial à Soberania Nacional. Um dos maiores articuladores disso é o Comandante do Exercito da Amazônia, contemplado com esse cargo depois de ter comandado tropas no Haiti, que matou muitos trabalhadores lá. E ainda fala em “Soberania Nacional”!. Outro “jargão” usado pelos políticos locais é o de “muita terra para pouco índio”, para esconder seu interesse em abocanhar estas terras para transforma-las em latifúndios, propriedade privada contra a comunitária, pois sendo reserva indígena é propriedade da União, ninguém pode vender.

Todos esses argumentos são falácias para esconder interesses políticos, como os dos arrozeiros.

Jupira, Roraima

 

 

Sumário dessa Edição

LUTA DE CLASSES

CEARÁ
Vence chapa 1 da CUT
PROFESSORES MUNICIPAIS-SP
Eleita direção do Sinpeem
APEOESP
Greve contra Serra!
NACIONAL
• 12ª PLENCUT - 5 A 8 DE AGOSTO
Ato de massa em 8 de agosto
ELEIÇÕES NO CPERS
“Cutistas” contra a CUT?
REPARAÇÃO AO POVO NEGRO JÁ!
Bancada ruralista ameaça comunidades quilombolas
SOBERANIA NACIONAL
Propostas do Encontro Continental refletidas na luta concreta
4 ANOS DE OCUPAÇÃO
Fora as tropas da Haiti
VARIG
O mercado é solução?
TRABALHO INFANTIL
Convenção 182 - formas toleráveis do trabalho infantil
PREVIDÊNCIA
Recursos existem, mas o pagamento da dívida é prioridade !
 
PARTIDO
ELEIÇÕES 2008
Qual a saída para os municípios?
BELO HORIZONTE - MG
Não ao acordo com Aécio!
CAMPINAS - SP
PT e DEM
CUIABÁ - MT
Golpe contra prévia
CARTA DIÁLOGO
Discussão com pré-candidato do PT em S. Caetano (SP)
 
JUVENTUDE
• CAMPANHA
Jovens defendem o povo do Haiti
• JUVENTUDE DO PT
Autonomia aprovada no 1º Congresso
• BAHIA
Ex-soldado no Haiti debate com JR
 
INTERNACIONAL
• ESTADOS UNIDOS
Carta a Barack Obama
EUROPA
Não ao Tratado de Lisboa
CORÉIA DO SUL
Contra as TLC's
REVISTA A VERDADE
Edição especial Pierre Lambert
 • MÉXICO
Pela representação independente do povo