A
crise econômica mundial,
originada nos EUA com a “crise imobiliária”
(que revela o impasse do sistema capitalista),
já impacta o Brasil.
A
alta no preço dos alimentos golpeia duramente
o povo. Segundo dados do DIEESE, o item alimentação
subiu mais de 14% em um ano, afetando mais os
menores salários.
Diante
da volta da infl ação, a resposta
do governo Lula foi aumentar os juros e o superávit
primário para “desaquecer a demanda”
- a culpa seria do povo que está consumindo
muito!
Em
19 de junho, diante do Banco Central em Brasília,
a CUT e a UNE protestaram contra a política
de Meirelles, o presidente do BC bancado pelo
governo Lula. Artur Henrique, presidente da
CUT, falou que “os gastos públicos com
saúde, educação e segurança
precisam aumentar, e não diminuir”, enquanto
Spis, também da CUT, relacionou os juros
e o superávit primário com os
leilões de petróleo, que entregam
às multinacionais a riqueza que poderia
ser utilizada em benefício do povo.
Dias
antes, a Executiva Nacional da
CUT começou a discutir o papel do Estado
face à alta dos alimentos. De fato, não
seria o caso de intervir para garantir o abastecimento
das camadas populares? Não é hora
do governo Lula tabelar os gêneros de
primeira necessidade?
Há três anos, quando a Varig quebrou, Lula recusou a
estatização, única forma
de preservar milhares de empregos e o patrimônio
nacional, em nome de “uma solução
de mercado”.
Deu no que deu: demissões em massa, desnacionalização
e agora o escândalo da VarigLog.
Nesse caso dos alimentos, também vai deixar o “mercado”, isto
é, os especuladores jogarem com a fome
do povo?
Enquanto isso, no Rio, oficiais do Exército, que ocupa o Morro
da Providência, entregam jovens para
serem assassinados por trafi cantes, num ato
que o próprio governo declarou “inaceitável”.
Mas seria “aceitável” atos de agressão semelhantes contra
gente do povo sejam praticados pelas tropas
de ocupação brasileiras do Haiti?
Já são milhares de brasileiros que endossam a exigência
de que Lula retire as tropas do Haiti e que
responda às denúncias de atropelos
aos Direitos Humanos naquele país.
A alta dos alimentos e a defesa da soberania dos povos são
duas questões que pedem que o governo
Lula rompa com sua atual política de
submissão ao “mercado”, na verdade às
exigências do imperialismo.
A Corrente O Trabalho acaba de realizar o seu 27º Encontro Nacional
que teve no centro esta discussão. Ela
se integra plenamente as questões hoje
debatidas, e medidas concretas adotadas, pelo
movimento dos trabalhadores, tanto na preparação
da 12ª Plenária Nacional da CUT
(agosto), como através de candidaturas
petistas para as eleições municipais
de outubro.
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