No
Rio de Janeiro, dados divulgados indicam que
a contaminação da dengue atinge
uma pessoa por minuto.
Diante
da situação alarmante, o ministro
da Saúde, Temporão, diz “tudo
que podia ser feito foi feito”. O governo federal
teria mesmo investido os recursos necessários
para impedir que tal tragédia se abatesse
sobre o Rio de Janeiro? Então, por que
o povo pobre do Estado aguarda horas na fila
para ser atendido, e quase 50 já morreram
nesse ano?
A
epidemia no Rio divide nos jornais o espaço
com as notícias de que a crise financeira
que se iniciou em agosto de 2007, nos Estados
Unidos, se aprofunda. Com a quebra do banco
Bears Stearns, o alerta para o tamanho da crise
chega ao Brasil.
Haveria
relação entre esses dois fatos?
Haveria relação entre a morte
de seres humanos por uma epidemia que há
muito poderia ter sido erradicada e a crise
financeira, na qual bilhões são
torrados para salvar as instituições
financeiras, no mesmo momento em que empresas
que registram lucros recordes e anunciam reestruturações
que não retirar direitos e destruir milhares
de emprego, como o anúncio feito pela
Ford? Sim, há uma relação.
A
crise financeira é expressão maior
das contradições do sistema parasitário
da economia capitalista, cuja sobrevivência
representa para a humanidade a barbárie
da fome, das epidemias, pois toda riqueza produzida
é jogada para a especulação
financeira.
O
governo Lula passou meses querendo fazer crer
que o Brasil ficaria imune à crise financeira.
Que, indo de “vento em popa”, o país
está ampliando o consumo. É necessário
dizer que isso é feito às custas
de um endividamento, sem precedentes, da população
de baixa renda.
Agora,
que fica cada dia mais difícil sustentar
que o país está vacinado contra
os efeitos da crise, o ministro Mantega diz
que, sim, podemos estar frente a uma crise assemelhada
a 1929.
Não
há imunidade possível no quadro
de uma política integrada aos interesses
da especulação financeira. No
ano de 2007, por exemplo, os bancos estrangeiros
no Brasil alcançaram um lucro 160% maior
do que em 2006. Política tão propícia
ao lucro especulativo só faz disseminar
no país a contaminação
da crise financeira.
Sem
ruptura com essa política, não
há saída para o Brasil e para
qualquer parte do mundo. A política de
privatizações que alimentou e
alimenta essa tragédia é contestada
nos países da região e também
no Brasil.
Serra
quer privatizar a CESP, recorreu a Lula. Mas
o movimento dos trabalhadores e suas organizações
dizem não à privatização.
Movimento que levou a Direção
Nacional do PT a se dirigir a Lula para que
evite que mais esse crime seja consumado. Mais
um passo precisa ser dado: é preciso
exigir de Lula que rompa com a política
que gera a crise e as guerras, as doenças
e a miséria, situação contra
a qual lutam os povos do continente.

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