JORNAL O TRABALHO

Nº 673 – 14 a 28 de abril de 2010

COM OS QUE LUTAM PELA TERRA

No mês de abril, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra realiza a Jornada Nacional pela Reforma Agrária, data que marca o assassinato dos 19 trabalhadores pela Polícia Militar do Pará, em Eldorado dos Carajás em 1996.

Quatorze anos depois - sete de governo Lula - a situação do campo no Brasil é ainda uma das questões cruciais a ser enfrentada.

A concentração de terra joga milhões de famílias na miséria enquanto 0,91% de latifundiários (menos de 50 mil) concentram 43% das terras agricultáveis (cerca de 146 milhões de hectares).

Os assassinatos de trabalhadores continuam e os assassinos seguem impunes. No dia 31 de março, Pedro Alcântara de Souza, da Federação de Trabalhadores na Agricultura Familiar (FETRAF-CUT), que vinha recebendo ameaças de fazendeiros, foi morto a tiros no Pará. A imprensa burguesa, que derramou lágrimas pelos pés de laranjas nas terras griladas pela empresa Cutrale, dedicou, com dias de atraso, poucas linhas ao assassinato.

A CUT repudia o crime “em nome de 22 milhões de trabalhadores” e afirma que não se pode aceitar que trabalhadores e trabalhadoras “continuem a ser criminalizados e covardemente executados por pessoas que querem impedir o desenvolvimento de nosso país” (site da CUT). No campo e na cidade os assassinos seguem impunes. O assassinato do companheiro Anderson Luiz completou 4 anos sem que a polícia do Rio de Janeiro desse qualquer esclarecimento.

No campo, a violência é sustentada por um poder judiciário conivente com os latifundiários - “incapaz” de apurar os assassinatos, mas ágil para condenar os que lutam pela terra - mas, sobretudo por uma estrutura agrária extremamente reacionária. Seus representantes no congresso, por exemplo, há seis anos emperram a votação da Proposta de Emenda Constitucional que prevê a expropriação da terra onde houver exploração de trabalho escravo. Nas listas do Ministério do Trabalho de proprietários flagrados na exploração de trabalho escravo, os canaviais de São Paulo lideram. Seus proprietários seguem com as terras e, pior, seus representantes comemoram os resultados dos seus negócios, nos últimos sete anos, como Luiz Guilherme Zancaner, usineiro no interior paulista, para quem “o governo Lula foi excepcional para nosso negócio”. De fato, o setor do agronegócio foi um dos mais beneficiados nos dois mandatos de Lula, o que expressa que o governo virou as costas aos compromissos com a base social que o elegeu, os trabalhadores do campo que se agarram na bandeira da reforma agrária defendida pelo PT. Ainda é tempo de corrigir.

Nessa jornada de abril, o MST pede ao governo que cumpra a promessa e atualize os índices de produtividade da terra para a desapropriação e destinação para reforma agrária. Uma medida simples, que permitiria enfrentar a brutal concentração de terra no país, mas que para ser realizada é preciso desvencilhar-se do acordo nacional com o PMDB, partido onde se abrigam os ruralistas e que se recusa assinar a atualização dos índices.

Com os que lutam pela terra, exigimos de Lula que rompa com política que alegra aos usineiros e reate com o compromisso assumido junto aos trabalhadores.