JORNAL O TRABALHO

Nº 670 – 25 de fevereiro a 10 de março de 2010

DEPOIS DO 4º CONGRESSO

Quando Lula encerrou o 4º Congresso do PT dizendo que “não tem que ter medo de tomar decisões e estatizar setores estratégicos que não estiverem funcionando", ele se aproximou do sentimento de boa parte dos delegados, hostilizados pela mídia.

Esses delegados, como os trabalhadores e povos da América Latina, querem reestatizar as riquezas privatizadas pelo imperialismo, para fazê-las “funcionar” em benefício da nação.

Mas no dia anterior, Berzoini, jogou o peso da direção para derrotar a emenda de João Moraes (coordenador da FUP) à plataforma que falava em “crescente nacionalização”, acrescentando a “retomada do monopólio estatal do petróleo”. E ainda fez votar duas vezes porque parecia ter perdido!

O resultado simboliza os limites da plataforma do 4º Congresso. Como reestatizar num “governo de coalizão” com o PMDB?

Falando como candidata do PT, Dilma, enfatizou a soberania, mas exemplificou o empréstimo do governo de 14 bilhões ao FMI que faz a “diferença da soberania”. Como assim? Os 14 bilhões saíram das reservas produzidas pelos altos juros pagos aos especuladores pelo Banco Central de Meirelles (PMDB). E fortalecem um instrumento contra a soberania dos povos, o FMI que está exigindo cortes e demissões na Europa.

É preciso romper com a política econômica para conquistar a soberania nacional e atender as reivindicações populares!

A Corrente O Trabalho, que apresentou uma Tática Eleitoral alternativa, e cinco emendas à plataforma, algumas incorporadas, se congratula com os delegados de todas as correntes que aprovaram a redução da jornada para 40 horas sem redução de salário e a ampliação da reforma agrária, por exemplo.

Da nossa parte, continuaremos a luta por um verdadeiro governo do PT, pela ruptura do laço com o imperia-lismo com a retirada das tropas do Haiti, apoiando a campanha pelo petróleo para a Petrobras 100% estatal.

Para isso é preciso se desvencilhar do “acordo nacional com o PMDB” do ministro Hélio Costa que quer privatizar os Correios, e do ministro Jobim que quer privatizar a Infraero.

Os documentos não mencionam a sigla PMDB, mas como Lula, Dilma e os dirigentes, subordinam a plataforma do 4º Congresso ao “acordo nacional”, o que vai sobrar depois de passar pelo crivo do PMDB?

De nossa parte, combateremos nas eleições contra a volta dos privatistas e pró-imperialistas, juntos na campanha de Dilma e do PT, defendendo os pontos da plataforma do 4º Congresso hostilizados pelos privatistas, apoiando candidatos a deputado comprometidos com as reivindicações da classe trabalhadora.

O PT chega a 30% da preferência eleitoral, mas a paciência dos militantes tem limites: surpreendeu a todos o terço dos votos obtido entre os delegados ultra-selecionados pelo PED, na emenda que a imprensa “não viu”, pedindo o fim do PED com a volta do encontro de delegados para eleger a direção.

Razão à mais, para apoiarmos a agenda de reuniões do Diálogo Petista, uma discussão para a luta de classe e para as eleições, espalhando as Audiências sobre o projeto do Petróleo da FUP, vídeos-debate sobre o Haiti depois do terremoto, e a defesa de candidaturas próprias do PT a governador, junto às lutas que marcarão o período.