JORNAL O TRABALHO

Nº 666 – 29 de outubro a 12 de novembro de 2009

UM COMPROMISSO CONTRA O PT

Esse “prato feito”, oferecido à militância petista, não vai ser digerido

A reunião entre representantes da cúpula petista e do PMDB, no dia 21 de outubro, representa um passo à frente em direção oposta às responsabilidades e tarefas de um partido nascido para representar os trabalhadores. Do encontro, que selou a proposta de uma chapa PT-PMDB à presidência da República, saiu um comunicado conjunto que nenhum petista, comprometido com os interesses dos trabalhadores, irá comemorar. Bem ao contrário, as “premissas” de tal comunicado estabelecem um estreitamento entre dois partidos de naturezas distintas, o que só vai aprofundar as já sentidas consequências de uma política de “governabilidade” que, na prática, serve para preservar os interesses das classes capitalistas.

O comunicado estabelece premissas como: “Construir aliança programática e eleitoral para o pleito presidencial; Os dois partidos comporão, necessariamente, a chapa de Presidente e Vice, a ser apresentada ao eleitorado brasileiro”. Depois de garantir o lugar na chapa majoritária, o PMDB ainda é brindado com a garantia de participação na elaboração do programa e coordenação da campanha!

Fato inédito na história do PT, a cúpula petista decidiu “dividir” com o PMDB, historicamente representante de interesses opostos aos do PT, a condução da disputa eleitoral em 2010.

Para justificar esse passo, um verdadeiro golpe em toda militância que, em tese, estaria chamada a discutir e decidir sobre a política de alianças, o surrado discurso de sempre: tal aliança é necessária para garantir a vitória em 2010. Mas, então, é o caso de perguntar: vitória de quem? Aí vem o segundo argumento, tais alianças são necessárias para garantir a governabilidade. Mas, então, é o caso de perguntar: governabilidade para quem?

Na questão, crucial para a nação brasileira, que é a de enfrentar a brutal concentração de terras, se expressa um dos lados mais trágicos dessa política.

O presidente Lula assumiu, publicamente, no final de agosto, com o MST, a promessa de atualizar, até o início de setembro, os índices de produtividade da terra. Seu ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, do PMDB, fiel representante dos ruralistas, disse que não assina a portaria, e o presidente, até agora, não honrou com a promessa. Se o PMDB já tem tanta força assim, com o tal do compromisso assumido, alguém pode acreditar que a “elaboração” do programa de governo vai contemplar as demandas pela reforma agrária?

Esse “prato feito”, oferecido à militância petista, não vai ser digerido. Afinal, são esses militantes que, no dia a dia das lutas, estão nos acampamentos, assentamentos e apoiam as mobilizações do MST pela reforma agrária. São os militantes do partido, que sempre combateram a grilagem de terra, que estão confrontados ao vergonhoso coro feito contra a ocupação da Cutrale.

A todos esses militantes que seguem fiéis aos interesses e à luta dos trabalhadores, as chapas Terra, Trabalho e Soberania se dirigem. Nossa luta passa pelo PED, mas não termina aí.

A classe trabalhadora, que com sua luta já impôs vitórias, como a que levou o PT à presidência, não irá se disciplinar por compromissos contrários aos seus interesses, assumidos em seu nome.