JORNAL O TRABALHO

Nº 665 – 15 a 29 de outubro de 2009

Em Honduras, há três meses, a maioria do povo, com a Frente Nacional de Resistência, exige a volta ao poder do presidente deposto, Manuel Zelaya, e a convocação de uma Assembléia Constituinte.

No México, no último dia 10, na calada da noite, forças do Exército cumprindo um decreto do presidente Calderón ocuparam a companhia estatal de energia elétrica e a sede do sindicato dos trabalhadores do setor. Com o decreto o governo fechou a empresa, jogando ao desemprego cerca de 50 mil trabalhadores, para avançar uma política de privatização. A imediata reação do Sindicato dos Eletricitários do México (SME) contra esse verdadeiro golpe foi iniciar uma mobilização que hoje se estende por todo o país.

Nos dois casos, um traço comum. De um lado, o imperialismo e seus agentes locais acirram a ofensiva contra as nações e os direitos dos povos para dar sobrevida ao sistema capitalista em crise, que não tem outra perspectiva a oferecer à humanidade senão a barbárie. De outro, a determinação dos trabalhadores e dos povos de frear essa marcha ao desastre.

Sob outra forma, mas apontando na mesma direção, essa situação se expressa também no Brasil.

Várias categorias, em campanha salarial, foram à greve e conquistaram reajustes melhores dos que pretendia a patronal.

Em difíceis condições, diante da recusa do governo em fazer a reforma agrária e frente a uma ofensiva brutal dos ruralistas, os trabalhadores sem-terra não se intimidam e prosseguema luta para ter a terra para trabalhar.

No próximo dia 11 de novembro, uma marcha da CUT, com outras centrais, chega a Brasília, levantando entre outras bandeiras, a redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem redução de salário, a defesa de uma Petrobrás 100% estatal, como propõe o projeto construído pela Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) com os movimen-tos sociais. Melhores salários e empregos, distribuição da terra para que o Brasil deixe de ser o campeão mundial em concentração fundiária, controle pela nação de suas riquezas naturais, são reivindicações que somem às da maioria dos povos em países do nosso continente que buscam livrar-se da dominação imperialista.

Nessa situação, o PT que levou ao governo, com o apoio da maioria oprimida, o presidente Lula, para representar os interesses dos trabalhadores, deve se colocar à frente das lutas e exigir que o governo adote as medidas que correspondam aos interesses de uma nação soberana. Medidas que atendam os trabalhadores semterra, a começar pela atualização dos índices de produtividade da terra. Medidas que protejam os trabalhadores, seus empregos e salários. Medidas para que, não parcialmente e nem apenas nas reservas do Pré-Sal, a nação seja dona da riqueza produzida em suas reservas petrolíferas. Medidas, enfim, que rompam com o atrelamento aos interesses das elites dominantes que na base de sustentação do governo golpeiam os interesses dos trabalhadores que o partido nasceu para representar.

Na luta direta e no processo das eleições internas para a direção do PT (PED) essas são as propostas defendidas pelas chapas Terra, Trabalho e Soberania.