JORNAL O TRABALHO

Nº 641– 8 a 22 de julho de 2008

 

Um punhado de nações pobres

No momento da operação de resgate dos reféns das Farc na Colômbia, com a participação dos EUA (ver página 7), o “The New York Times”, em artigo intitulado “Silenciosamente Brasil ofusca Venezuela”, felicita-se pelo distanciamento de Lula em relação a Hugo Chávez, cuja influência, segundo o jornal norte-americano, se limitaria a “um punhado de nações mais pobres”, como a Bolívia e Cuba.

Apesar de diferenças que se possa ter com o governo venezuelano, ao reestatizar a Sidor (siderúrgica), Chávez respondeu positivamente à mobilização que os trabalhadores iniciaram de forma independente.

Apesar de diferenças que se possa ter com a política de Evo Morales, ao resistir à ofensiva das oligarquias pró-imperialistas para dividir o país, o governo da Bolívia responde aos interesses do povo que quer viver como nação soberana.

O que significaria não ficar ao lado de “um punhado de nações pobres”? Significaria querer um lugar na mesa do G8, grupo dos países mais ricos, para manter o Brasil submetido à política deles? Seria buscar assento no Conselho de Segurança da ONU, controlado pelos EUA, e para tanto enviar tropas de ocupação ao Haiti?

Como disse o deputado estadual Adriano Diogo, do PT-SP, em sua entrevista (veja na página 8), essas tropas no Haiti fazem o mesmo papel das que ocupam o Iraque.

Nas Plenárias Estaduais da CUT que elegeram delegados à Plenária Nacional de agosto, foram adotadas resoluções em defesa do petróleo e do gás, em apoio ao plebiscito oficial pela anulação do leilão da Vale e pela retirada das tropas do Haiti. O que demonstra amadurecer a exigência de uma política que corresponda aos interesses dos trabalhadores e da nação, que se chocam com a política ditada por Washington.

Uma política que rompa com os interesses do capital especulativo, que é responsável pelo aumento do preço dos alimentos, que pare de beneficiar o agro-negócio e de permitir a invasão do capital estrangeiro comprando terras no Brasil.

O governo Lula, para atender as reivindicações dos trabalhadores e os interesses da nação brasileira, deve distanciar-se, na verdade, dos interesses do imperialismo que empurra os povos à fome, inclusive no Brasil, e não da Venezuela ou do “punhado de nações pobres”!.

Na campanha para as eleições de outubro, como responder aos problemas municipais sem enfrentar a política nacional que, em benefício do pagamento da dívida, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, esmaga Estados e municípios?

Esta edição traz a declaração de candidatos a vereador pelo PT que diz: “a única saída para a nação é um Governo do PT que rompa com as exigências dos especuladores e do imperialismo, para atender as reivindicações populares”. Declaração submetida à discussão e a novas adesões de candidatos, ela se soma à campanha dirigida a Lula pela retirada das tropas brasileiras do Haiti.