JORNAL O TRABALHO

Nº 638 – 9 a 21 de maio de 2008

 

A luta da Bolívia é a de todo o continente

A oligarquia investe para dividir a Bolívia, nação que começa a recuperar o controle de suas riquezas, enquanto o povo trabalhador rechaça com sua mobilização o separatismo.

A situação em Santa Cruz, departamento boliviano, é, hoje, o ponto mais avançado na América do Sul da ofensiva do imperialismo dos EUA para tentar frear os processos revolucionários e assim prosseguir sua política que leva milhões de pessoas, em 50 países, a revoltas da fome.

A luta dos trabalhadores e povos contra o imperialismo expressou-se no 2º Encontro Continental (México, 4 a 6 de abril) contra as privatizações e os tratados de livre comércio, em defesa das reestatizações e da soberania nacional (JOT 637). Agora, as delegações ali presentes fazem em seus países reuniões de prestação de contas, que ocorrem também no Brasil. Reuniões para continuar e reforçar a batalha pela unidade dos trabalhadores e suas organizações contra a ofensiva imperialista, para as quais convidamos nossos leitores.

A juventude, em busca de um futuro, também se organiza para lutar. No 10º Encontro Nacional da Juventude Revolução os delegados disseram “a juventude vai se unir, o imperialismo vai cair”. No Brasil, o foguetório de que o país seria confiável para o capital financeiro, não
esconde o fato de que os preços da cesta básica explodem.

Para a maioria do povo, os bilhões que giram nas bolsas de valores, que podem virar fumaça da noite para o dia, não são motivo de festa.

A “confiança do mercado” vem de uma política que se nega a anular o leilão da Vale e mantém os leilões do petróleo. Vem de anúncios de nova reforma da previdência ou dos enormes lucros do agro-negócio, turbinados pelo acordo do Etanol feito entre Lula e Bush em 2007.

A Carta-Diálogo submetida à discussão com petista e cutistas defende a necessidade de exigir de Lula que rompa com essa política que serve ao imperialismo e propõe aos trabalhadores e jovens que se sirvam de suas organizações para impor suas reivindicações. O que se traduz, por exemplo, na exigência de retirada das tropas brasileiras do Haiti.

O caminho aberto pela luta dos povos na Venezuela, Equador, Bolívia, México é o da ruptura com a política do governo dos EUA. É o que leva os presidentes Hugo Chávez e Rafael Correa a tomarem clara posição em defesa da unidade da Bolívia contra os intentos separatistas insuflados pelo imperialismo, reforçando assim a luta dos povos das Américas pela união de nações soberanas e povos livres!