JORNAL O TRABALHO
Nº 637 – 17 de abril a 6 de maio de 2008
Os
povos dizem: Basta !
No
momento em que em vários países como Haiti e Burkina Faso (África)
os povos se sublevam contra a fome, uma questão se coloca: quem são
os responsáveis? No Haiti, em uma semana, o preço de 50 quilos
de arroz saltou de 35 para 70 dólares.
Alimentação
básica do povo africano, o preço do arroz explodiu nos últimos
meses, como em Serra Leoa, com uma alta de 300%. Seriam os haitianos ou os
africanos responsáveis, por estarem comendo muito, como pretendem alguns?
Não,
responsável é a classe capitalista, os grandes bancos, as multinacionais
que, pela especulação financeira desenfreada provocaram o estouro
dos preços dos alimentos em escala mundial.
Responsáveis
são os tratados de livre comércio, como o NAFTA (entre EUA,
Canadá e México) que ameaça privar o povo mexicano do
milho, elemento básico de sua alimentação. Responsável
é a política de pilhagem das nações, de privatização
e guerra.
Para
ajudar a unidade na luta, em todo continente americano, contra essa política,
realizou-se nos dias 4,5 6 seis de abril, na cidade do México, o II
Encontro Continental.
A
representatividade das delegações presentes, como a dos EUA,
que reunia o que tem de mais avançado no país na luta pela construção
de um partido negro e contra a guerra, como Cynthia Mckinney, candidata negra
independente às eleições presidências desse ano.
A delegação equatoriana, mantada por um encontro nacional das
principais organizações operárias. A presença
de representantes da CUT e do PT na delegação brasileira, a
participação da Convenção Nacional Democrática
do México, que através de Claudia Sheinbaum, na abertura do
Encontro colocou a luta em defesa da PEMEX, permitiu que o II Encontro Continental,
se realizasse num verdadeiro quadro de frente única da luta contra
as políticas que ameaçam as nações e os povos.
De
norte a sul do continente americano, o II Encontro concluiu que os problemas
colocados são os mesmos que sofrem os povos de todos os continentes
e por isso decidiu propor a realização de um Encontro Mundial.
A
fome que aflige povos de vários continentes é expressão
da política de guerra e destruição a serviço da
especulação financeira, contra a qual lutam os povos em todo
mundo. Ajudar a reunir representações da luta contra a política
do imperialismo, a começar por trabalhadores dos Estados Unidos que
também convocam o Encontro Mundial, é a proposta pela qual nos
comprometemos a trabalhar, com toda a delegação brasileira presente
ao Encontro do México.