JORNAL O TRABALHO

Nº 636 – 26 de março a 10 de abril de 2008

 

A epidemia da crise

No Rio de Janeiro, dados divulgados indicam que a contaminação da dengue atinge uma pessoa por minuto.

Diante da situação alarmante, o ministro da Saúde, Temporão, diz “tudo que podia ser feito foi feito”. O governo federal teria mesmo investido os recursos necessários para impedir que tal tragédia se abatesse sobre o Rio de Janeiro? Então, por que o povo pobre do Estado aguarda horas na fila para ser atendido, e quase 50 já morreram nesse ano?

A epidemia no Rio divide nos jornais o espaço com as notícias de que a crise financeira que se iniciou em agosto de 2007, nos Estados Unidos, se aprofunda. Com a quebra do banco Bears Stearns, o alerta para o tamanho da crise chega ao Brasil.

Haveria relação entre esses dois fatos? Haveria relação entre a morte de seres humanos por uma epidemia que há muito poderia ter sido erradicada e a crise financeira, na qual bilhões são torrados para salvar as instituições financeiras, no mesmo momento em que empresas que registram lucros recordes e anunciam reestruturações que não retirar direitos e destruir milhares de emprego, como o anúncio feito pela Ford? Sim, há uma relação.

A crise financeira é expressão maior das contradições do sistema parasitário da economia capitalista, cuja sobrevivência representa para a humanidade a barbárie da fome, das epidemias, pois toda riqueza produzida é jogada para a especulação financeira.

O governo Lula passou meses querendo fazer crer que o Brasil ficaria imune à crise financeira. Que, indo de “vento em popa”, o país está ampliando o consumo. É necessário dizer que isso é feito às custas de um endividamento, sem precedentes, da população de baixa renda.

Agora, que fica cada dia mais difícil sustentar que o país está vacinado contra os efeitos da crise, o ministro Mantega diz que, sim, podemos estar frente a uma crise assemelhada a 1929.

Não há imunidade possível no quadro de uma política integrada aos interesses da especulação financeira. No ano de 2007, por exemplo, os bancos estrangeiros no Brasil alcançaram um lucro 160% maior do que em 2006. Política tão propícia ao lucro especulativo só faz disseminar no país a contaminação da crise financeira.

Sem ruptura com essa política, não há saída para o Brasil e para qualquer parte do mundo. A política de privatizações que alimentou e alimenta essa tragédia é contestada nos países da região e também no Brasil.

Serra quer privatizar a CESP, recorreu a Lula. Mas o movimento dos trabalhadores e suas organizações dizem não à privatização. Movimento que levou a Direção Nacional do PT a se dirigir a Lula para que evite que mais esse crime seja consumado. Mais um passo precisa ser dado: é preciso exigir de Lula que rompa com a política que gera a crise e as guerras, as doenças e a miséria, situação contra a qual lutam os povos do continente.