JORNAL O TRABALHO

Nº 634 – 16 de fevereiro a 5 de março de 2008

 

Um passo numa luta comum

A mídia brasileira cobre em detalhes a campanha dos dois grandes “partidos irmãos” do EUA, democratas e republicanos. Enquanto isso, em todo continente o povo se mobiliza contra a política que ambos representam: os interesses do imperialismo estadunidense que, para preservar o regime da propriedade privada dos grandes meios de produção, empurra toda humanidade à barbárie.

Na página 5 dessa edição um artigo sobre a crise imobiliária nos EUA busca demonstrar que ela está longe de ser episódica e, portanto de estar resolvida. As multinacionais e o capital financeiro vão querer jogar nas costas dos trabalhadores e dos povos o custo dos bilhões perdidos.

Mas também nos EUA a candidatura negra, independente, de Cynthia
Mckinney mostra que entre o céu dos republicanos e democratas e o inferno da situação da vida dos negros nos EUA, há uma resistência que busca se organizar.

Centenas de milhares de pessoas no México saíram às ruas para protestar contra medidas que ameaçam a soberania da nação.

Na Venezuela, enquanto as multinacionais sabotam para desestabilizar o governo Chávez, começa a reação em defesa da revolução venezuelana.

Também no Brasil, sintonizados com o mesmo sentimento, trabalhadores da cidade e do campo seguem exigindo do governo que cumpra os compromissos que estiveram na base de sua reeleição.

Os servidores não estão dispostos a pagar pela crise e por isso organizam a mobilização contra a suspensão dos reajustes acordados
com o governo. Ao ministro Paulo Bernardo que diz “a greve não faz aparecer dinheiro nos cofres públicos”, os servidores respondem: “o que ‘aparece’ com a greve é a política do governo na distribuição orçamentária. O ‘problema’ que a greve pode resolver é obrigar o governo a atender aos servidores em vez de atender aos patrões - banqueiros em primeiro lugar - beneficiados pela especulação fi nanceira” (Boletim do Sindsep-DF).

De norte a sul das Américas a luta é a mesma. Um passo para ajudar na unidade dessa luta é a proposta de realizar no México o Segundo Encontro Continental em defesa da soberania dos povos, contra os tratados de livre comércio, contra as privatizações e pela reestatização do que foi privatizado.

Por isso nos somamos aos sindicalistas e dirigentes políticos, às entidades do Brasil e de vários países do continente na preparação do Encontro. Chamamos nossos leitores a discutir e apoiar essa iniciativa, conquistar novas adesões e batalharmos para construir uma delegação brasileira auto-financiada, como é organizado o próprio Encontro.


30 ANOS DE O TRABALHO

Nessa edição especial com o suplemento em homenagem ao nosso camarada Pierre Lambert, abrimos uma campanha de assinaturas para reforçar nosso jornal que completa, no próximo 1º de maio, 30 anos de existência completamente independente, um jornal auto-fi nanciado. Uma vitória, num momento histórico em que não faltam ofertas de fi nanciamento para quebrar a independência dos trabalhadores, e que podemos comemorar, com a contribuição dada pelo camarada Lambert cuja militância manteve, até o fim, a coerência na defesa da independência política e f nanceira da luta dos trabalhadores.