JORNAL O TRABALHO
Nº 633 – 16 de janeiro a 13 de fevereiro de 2008
"Que
o governo crie vergonha na cara"
Cinco anos se passaram e a maioria oprimida da nação continua
sofrendo as conseqüências da aplicação de uma política
submissa aos interesses do imperialismo, na direção contrária
à afirmação da soberania nacional e do atendimento das
reivindicações, para o que esse governo foi eleito. Agora Lula,
derrotado no Congresso pela burguesia que inventou a CPMF, quer jogar nas
costas dos servidores
o ônus da política que tira dinheiro da nação para
pagar a dívida.
O governo fala em aumentar imposto das operações financeiras
e lucros bancários, mas nos fatos, Paulo Bernardo, ministro do Planejamento
comunica sobre o reajuste dos servidores: “Não
temos a mínima condição de decidir aumento de servidores
neste momento de desequilíbrio”.
Ora, desequilíbrio, para os interesses do povo, é garantir R$ 61 bilhões de superávit (de janeiro a outubro de 2007) para pagar a dívida federal que sugou nos cinco anos do mandato de Lula R$ 998 bilhões.
Estão certos os servidores, e estamos com eles, quando iniciam mobilizações e discutem a greve contra esse ataque, que não para aí.
O governo fala em cortar gastos, tal como a burguesia exige, entre eles, o orçamento do ministério do Desenvolvimento Agrário. Está certo João Pedro Stedile do MST ao dizer que o governo deve criar “vergonha na cara e cumpra com seus compromissos históricos”, Folha de S.Paulo, 7 de janeiro.
Segundo dados desse jornal, baseados em decretosde desapropriação do Diário Oficial da União, em 2007 o governo Lula desapropriou apenas 204,5 mil hectares, terra que permite assentar apenas 6 mil famílias. E 150 mil famílias acampam nas estradas! Submetido ao agro-negócio, Lula se recusa a atualizar o índice de produtividade da terra (que data de 1975) para efeito de desapropriação. E o ministro Cassel, Desenvolvimento Agrário, justifica: “A avaliação do presidente é que tem de encontrar um momento político oportuno para isso” (FSP 7/01).
Em países vizinhos como na Venezuela, Bolívia e Equador, os
governos Chávez, Evo e Correa, sob a impulsão da lutas das massas,
tomam medidas, ainda que limitadas, mostrando que é possível
enfrentar as ordens de Washington, apoiando-se na luta do povo.
Nesse ano que começa, continuamos na luta com os trabalhadores, com a exigência de que o governo Lula rompa com a submissão ao imperialismo, tomando medidas de soberania como recuperar para a nação a Vale do Rio Doce e faça a Reforma Agrária. Medidas que corresponderiam a um verdadeiro governo de um Partido dos Trabalhadores digno desse nome. Nessa luta estamos ao lado dos povos e governos da Venezuela e Bolívia, atacados por Bush e seus aliados para derrotar as revoluções em curso nesses países. A convocação do 2º Encontro Continental (abril, México) faz parte do esforço -começando por agrupar nos diferentes países os que combatem pela soberania - de construir a unidade dos povos do continente que lutam livrar-se do imperialismo.