JORNAL O TRABALHO
Nº 610 –
25
de outubro a 8 de novembro de 2006
Um
fantasma que ronda
A
seis dias do 2º turno das eleições, porta-vozes das elites dominantes, dentro
de fora do país, falam do que os assusta: o movimento revolucionário dos povos,
que se ergue como uma onda na América Latina, poderá ser contido no
Brasil?
O Editorial do Estadão (23/10) pergunta diretamente: “O presidente Lula,
se reeleito, que condições terá para impedir que seus apoiadores ostensivos,
pertencentes a organizações clandestinas continuem praticando seus crimes,
imbuídos, como se sentem, do apoio oficial?”, referindo-se ao MST e à
declaração de Zé Rainha de que, fechadas as urnas no dia 29, retomarão as
mobilizações para cobrar de Lula a Reforma Agrária que não veio nesses quatro
anos.
No dia seguinte, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinava prisão
de Zé Rainha. Mera coincidência? Alckmin, perguntado pela Folha de São Paulo
sobre a utilização de medidas repressivas contra a luta pela reforma agrária,
defende “ações de desocupação caso promovam invasões de propriedades, o que é
contra a lei.”
Também no dia 23, o jornal inglês Financial Times (FT), gabaritado
porta-voz do capital financeiro, alerta: “O perigo de uma vitória retumbante de
Lula, na visão daqueles que apóiam a economia ortodoxa, é que reformas muito
necessárias tornam-se menos prováveis.”
Perigo! A derrota de Alckmin não cria as melhores condições para a
ofensiva pedida pelos capitalistas, incluindo a repressão, contra os
trabalhadores e suas organizações, que é necessária para prosseguir no
desmantelamento da nação pretendido pelo imperialismo.
O FT se inquieta também com as privatizações: “tarifas para telefonia e
eletricidade subiram muito e a privatização continua profundamente impopular.”
E bota impopular nisso! Basta ver o apoio da população à greve dos
metroviários em agosto, contra a privatização da linha 4 do metrô paulistano,
que Alckmin queria impor.
O jornal inglês conclui que o resultado do 2º turno pode provocar um
choque que “pode resultar em mudança significativa de política”.
Juçara Dutra Vieira, presidente da Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Educação (CNTE), filiada à CUT, reagindo às declarações de
Paulo Bernardo, Ministro do Planejamento, sobre a possibilidade da ampliação da
DRU (Desvinculação das Receitas da União) de 25% para 30%, declarou que “para
essa possibilidade não há acordo”, e arrematou: “Alertamos que a educação só
será prioridade se não nos subordinarem às políticas fiscais.” E a luta em
defesa da educação pública já tem uma data agendada: no dia 9 de novembro a
Caravana organizada por entidades dos estudantes universitários vai à Brasília
para exigir a retirada do projeto de Reforma Universitária.
A “mudança significativa” da qual fala o FT é a que pode ser imposta
pela mobilização dos trabalhadores brasileiros, da mesma forma que o povo
trabalhador dos países vizinhos vem fazendo.
São os sem-terra, os que recusam as privatizações, os que defendem os
serviços públicos, os jovens, os que constituem a maioria da nação oprimida,
que querem ver resolvidas as grandes questões nacionais não resolvidas no
primeiro mandato, os que podem dar a “vitória retumbante” a Lula.
Dia 30 de outubro serão essas questões candentes para o povo
trabalhador, a Reforma Agrária, a reestatização das empresas privatizadas como
a Vale, a Educação Pública, que estarão em pauta.
É isso que assombra os capitalistas. E isso que queremos ajudar a
fortalecer quando chamamos a derrotar Alckmin, Voto Lula, Por um Governo do PT que satisfaça as reivindicações
populares.