DECLARAÇÃO

 

Defesa da revolução venezuelana

Está em curso uma ofensiva contra o povo e o governo da Venezuela. Publicamos abaixo a Declaração de O Trabalho.

 

A revolução venezuelana está em perigo !

Unidade dos trabalhadores e povos contra o imperialismo !

 

A apertada vitória do não (1% de diferença) no Referendo constitucional impulsionado pelo presidente Chávez em 2 de dezembro na Venezuela foi festejada por Bush e seus aliados locais e internacionais,  como o rei da Espanha, como uma oportunidade para fazer retroceder o processo revolucionário em curso no país vizinho e frear seu impacto na luta dos trabalhadores e povos no continente.

 

Hoje, a revolução venezuelana está em perigo !

 

Aqueles que organizaram a campanha pelo Não no Referendo foram os mesmos que tentaram o golpe de Estado de 2002 contra Chávez. São os mesmos que fizeram a sabotagem da indústria petroleira em seguida e forçaram a realização do Referendo revocatório de 2004. Eles nunca deixaram  de tentar, por todos os meios, interrromper o governo legítimo eleito pelo povo trabalhador da Venezuela.

 

Assim, a campanha pelo Não era a continuidade dessa política contra-revolucionária, aplicada por conta do imperialismo, que consiste em questionar todas as medidas progressivas tomadas pelo governo, como a afirmação do caráter estatal, nacional, da PDVSA, nacionalizações, distribuição de terras e o anúncio de ruptura com o FMI. Foi para defender essas conquistas que os trabalhadores e o povo se levantaram contra o golpe de Estado, combateram a sabotagem petroleira e rejeitaram de forma maciça a tentativa de revogar o mandato constitucional de Chávez em agosto de 2004.

 

Em todas essas circuntâncias, a 4ª Internacional se colocou incondicionalmente ao lado do povo venezuelano em defesa do governo Chávez. Nenhum militante anti-imperialista, nenhum combatente do movimento operário e popular na Venezuela, na América Latina e em todo o mundo, pode festejar, como fazem Bush e seus amigos, a vitória do Não no referendo de 2 de dezembro !

 

Pela primeira vez, os que combatem há muito para derrotar a revolução na Venezuela, conseguiram dar-lhe um golpe nas urnas. As razões desse resultado são objeto de amplo debate no campo daqueles que defendem o processo revolucionário contra a ingerência do imperialismo e que, em 2 de dezembro, estavam no campo do SIM.

 

O próprio Hugo Chávez, cujo governo garantiu liberdade de propaganda para a oposição e reconheceu o resultado do referendo, declarou que a derrota de sua proposta se deveu ao alto grau de abstenção (44%). O debate nas bases populares pede correções no processo revolucionário na via da satisfação das necessidades das amplas massas, aprofundando a nacionalização e renacionalização de setores chave da economia, e nele não faltam duras críticas a setores do próprio chavismo que se chocam com as reivindicações e organizações dos trabalhadores, como o atual Ministro do Trabalho. 

 

A ofensiva imperialista assume agora a cara de “reconciliação” e “diálogo”.   « Reconciliação e diálogo » com os golpistas de 2002, 2003, 2004 ? Está claro que o objetivo deles segue o mesmo : sufocar as  conquistas da revolução, utilizando inclusive a arma da integração da Venezuela ao Mercosul, instrumento do imperialismo para « abrir mercados » para suas multinacionais, operação que encontra em Lula, que se proclama « amigo de Bush », o principal artesão.

 

Em outras regiões da América do Sul, apoiando-se na vitória do Não no referendo venezuelano, os agentes do imperialismo também tentam derrotar as massas. Assim, na Bolívia, em 15 de dezembro, a oligarquia separatista dos departamentos orientais  – sob a liderança de Santa Cruz – se arrogou o direito de dizer que não reconhece a nova Constituição aprovada pela maioria dos representantes eleitos pelo povo, declarando sua “autonomia” diante do  governo nacional de Evo Morales, anunciando assim sua disposição de guerra civil.

 

Pela Frente Única Antiimperialista em defesa da revolução venezuelana e da soberania dos povos em todo o continente.

 

A Corrente O Trabalho do PT, seção brasileira da IVª Internacional, se coloca incondicionalmente em  defesa dos processos revolucionários na Venezuela, Bolívia, Equador , se dispondo a forjar a mais ampla Frente Única Anti-imperialista.

 

Estamos dispostos, assim, à unidade de ação incondicional com governos como os de Chávez, Evo e Correa, em apoio a medidas, ainda que limitadas, que adotem de ruptura com o imperialismo e seus aliados internos e contra qualquer ameaça de intervenção externa.

 

Ao mesmo tempo mantemos nossa total independência política, que se materializa em propostas concretas para aprofundar as transformações na via do socialismo, que só poderá ser obra dos trabalhadores organizados em seu próprio terreno de classe. Na Venezuela isso implica em particular o apoio à reconstituição da União Nacional dos Trabalhadores (UNT) como central sindical dotada de organismos eleitos e responsáveis diante de sua base.

 

Num momento em que no Equador os trabalhadores e o povo buscam organizar-se para exigir que a Assembléia Constituinte instalada no final de 2007 atenda as reivindicações nacionais e sociais; em que na fronteira do México com os Estados Unidos, manifestantes dos dois países se mobilizam em 1º de janeiro de 2008 para denunciar a entrada em vigor de uma cláusula do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN-Nafta) que libera a entrada de feijão e milho, condenando ao desastre a agricultura mexicana; num momento em que no Brasil, Lula inicia seu 6º ano de governo sem atender as aspirações populares que estiveram na base de sua eleição e reeleição (reforma agrária, reestatização do que foi privatizado como a Vale, serviços públicos de qualidade, etc) e aprofunda a “parceria” com Bush, como no caso do Acordo do Etanol, é hora de juntar as forças em todo o continente, de Norte a Sul das Américas, para o combate unitário contra o imperialismo!

 

A Corrente O Trabalho, com sindicalistas e militantes do México e outros países do continente, com o Acordo Internacional de Trabalhadores e Povos, participa do esforço de construir o 2º Encontro Continental contra os Tratados de Livre Comércio, contra as Privatizações e pela Renacionalização do que foi privatizado para este ano que se inicia. Encontro que terá no centro o apoio as processos revolucionários na Venezuela, Bolívia e Equador, o apoio à luta de resistência dos povos à dominação imperialista que se estende de Norte a Sul das Américas!

 

Que 2008 seja um ano de unidade na luta dos trabalhadores e povos contra a dominação imperialista, para abrir a via para uma verdadeira união entre nações livres e soberanas do continente americano!

 

Defesa incondicional da revolução venezuelana !

Cabe apenas aos trabalhadores e povo da Venezuela definir soberanamente seu destino !

Defesa das nacionalizações, da distribuição de terras, e de todas as medidas de ruptura com o FMI e o imperialismo tomadas pelo governo Chávez !

 

 10 de janeiro de 2008

 

Corrente O Trabalho do PT

Seção Brasileira da 4ª Internacional