A crise mundial do capitalismo ameaça arrastar a civilização

Combater por uma saída positiva à alternativa “socialismo ou barbárie”

 

A 4ª INTERNACIONAL CONVOCA SEU 7º CONGRESSO MUNDIAL

Ela se dirige aos trabalhadores e aos povos do mundo inteiro

 


Trabalhadores da cidade e do campo, militantes, jovens, povos oprimidos de todo o mundo,

 

O Conselho Geral da 4ª Internacional decidiu convocar o 7º Congresso Mundial da 4ª Internacional.

Ele se dirige a todos que estão engajados no combate de resistência contra o imperialismo exterminador, contra as guerras, contra a fome, contra a destruição das nações, pela defesa dos direitos operários e democráticos.

O Conselho Geral da 4ª Internacional se dirige a vocês todos porque, partilhando ou não o conjunto de nossas análises, estamos engajados num combate comum onde está em jogo a defesa da civilização humana.

Decidimos convocar o Congresso Mundial da 4ª Internacional no momento em que se joga a sorte da humanidade. O sistema capitalista mergulhou numa crise como ele nunca conheceu. Os povos e as nações recusam serem levados na sua crise de decomposição que ameaça arrastar tudo.

A 4ª Internacional inscreve sua ação na continuidade de toda a tradição histórica do movimento operário e de seu combate secular que opõe os interesses da classe dos explorados aos da classe dos exploradores. Esta luta do trabalho contra o capital exige, como uma necessidade absoluta, a independência das organizações dos trabalhadores.

A 4ª Internacional, na continuidade dos princípios fundadores das três primeiras Internacionais dos trabalhadores, reafirma em alto e bom som: o futuro da civilização humana é contraditório com a sobrevivência do regime da propriedade privada dos meios de produção, em putrefação. A solução para a humanidade se encontra na expropriação do capital, na apropriação coletiva dos meios de produção, no estabelecimento da República universal dos sovietes.

Quando a URSS desmoronou, em 1991, a 4ª Internacional recusou a fazer parte do coro. A 4ª Internacional historicamente nasceu do combate da Oposição de Esquerda contra a burocracia stalinista. Ela recusou a se dobrar aos burocratas que, parasitando a propriedade social, renunciaram à perspectiva da revolução socialista mundial. Combatendo pela defesa da herança de Outubro de 1917, ela acusava a burocracia de ameaçar a existência da própria URSS, a maior conquista da classe operária em escala internacional. Quando, confirmando este prognóstico político, a burocracia conduziu a URSS ao desmoronamento, a 4ª Internacional recusou o coro de todos os que diziam: é o fim do socialismo.

Ao contrário, a 4ª Internacional, sobre a base de todos os ensinamentos do marxismo, desde esta época prognosticou que a queda da URSS só aceleraria e aprofundaria a crise de decomposição do próprio capitalismo.

A 4ª Internacional afirma com Lênin que o capitalismo chegado ao estágio imperialista, é a reação em toda linha.

 

Trabalhadores da cidade e do campo, militantes, jovens, povos oprimidos,

No mundo inteiro, os capitalistas procuram utilizar a sua própria crise para golpear ainda mais a classe operária e os povos. Eles usarão a situação de crise mundial para ampliar a opressão, a desagregação e a pilhagem das nações, para questionar toda forma de soberania das nações.

A administração Bush, conjuntamente com os partidos Democrata e Republicano, votou o Plano Paulson de 1,5 trilhões de dólares para os bancos e os especuladores. Seguindo a voz de seu mestre, a União Européia decidiu oferecer 1,7 trilhões de euros aos banqueiros e especuladores. E estes números não param de crescer. No mundo inteiro, todas as instituições e os governos a serviço do imperialismo adotam planos comparáveis. As verbas públicas, as riquezas das nações são postas a serviço dos especuladores, dos banqueiros e dos ladrões das riquezas dos povos. Estas somas, eles moverão destruindo as conquistas dos povos e das nações, desmantelando todos elementos de regulamentação, de direitos coletivos que também constituem um freio à exploração desenfreada.

Todos os trabalhadores sabem que essas somas serão gastas em vão. Elas só servirão para relançar a máquina da especulação e da exploração. À crise atual, sucederá uma outra crise ainda mais devastadora, enquanto o problema não for resolvido na sua raiz. E a raiz, é o regime capitalista fundado sobre a propriedade privada dos meios de produção.  

Então, a 4ª Internacional coloca a questão a todos e todas: podemos aceitar? É forçoso constatar que, no mundo inteiro, são numerosos os que, pretendendo falar em nome da classe operária e da democracia, apóiam estes planos, seja por meio de seu voto ativo seja através de um silêncio vergonhoso.

Contudo, todos os trabalhadores sabem que cada dólar dado a um banqueiro será coberto pela agravação das condições da exploração. Todos sabem que os planos que vão ser impostos são da mesma natureza, mas mais graves, que os planos do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional que pilharam a África, conduziram a privatização-liquidação da propriedade social no Leste da Europa, e hoje ameaçam a China.

A 4ª Internacional lança um chamado solene a todas as organizações que se reivindicam do movimento operário e da democracia: a defesa das nações, dos povos e da democracia exige romper com esses planos. A independência das organizações tem este preço. Os trabalhadores do mundo inteiro não têm escolha, senão se levantarem unidos para dizer: “Retirada destes planos infames!”.

A 4ª Internacional chama a combater toda forma de união nacional que vise a atrelar as organizações dos trabalhadores aos governos a serviço dos capitalistas e das multinacionais.

A 4ª Internacional afirma que, no mundo inteiro, os aparelhos da social-democracia – que não é mais que a sua própria sombra -, a Internacional Socialista, e os saídos da quebra do stalinismo colocam-se, por toda sua política, como os principais obstáculos à luta de emancipação dos povos. Estes aparelhos alimentam a ofensiva de destruição das organizações historicamente construídas pela classe trabalhadora.

A 4ª Internacional denuncia a impostura do agrupamento chamado Secretariado Unificado que, utilizando a etiqueta 4ª Internacional, vota na Itália pelos créditos de guerra no Afeganistão, afirma que a página de Outubro de 1917 está definitivamente virada e propõe acabar “com o velho movimento operário”.

A 4ª Internacional se dirige à juventude: que futuro lhe reserva o capitalismo, senão o das guerras que se estendem, da desqualificação e da precarização generalizada?

A 4ª Internacional se dirige às nações e aos povos oprimidos: qual futuro oferece o sistema capitalista em crise de decomposição, senão o esfacelamento, a desagregação, a “guerra sem fim” e a opressão nacional? 

Sim, nós afirmamos, fiéis ao ensinamento de Rosa Luxemburgo, que a alternativa é mais do que nunca “socialismo ou barbárie”. O sistema capitalista em crise de decomposição só é capaz de prometer as maiores destruições.

Apenas a classe operária, os povos e as nações oprimidas, a juventude, unidas com suas organizações, são capazes de oferecer um outro futuro à humanidade, um futuro de paz e justiça social, um futuro fundado na socialização dos meios de produção. O primeiro ato desde combate é a ruptura com os planos de despejam trilhões e trilhões nos bolsos dos capitalistas.

Toda a história do movimento operário ensina: a classe trabalhadora não é nada sem a organização de classe. Neste combate pelo reagrupamento classe contra classe, a 4ª Internacional não tem interesses distintos dos do conjunto da classe operária.

É por isso que a 4ª Internacional é parte constitutiva do Acordo Internacional dos Trabalhadores. O Acordo é um agrupamento amplo de partidos, de organizações e militantes de várias as tendências, reunidos para defender a independência das organizações dos trabalhadores, lutar contra a guerra e a exploração, reunindo todas as correntes e militantes que querem fazer avançar a causa da independência de classe com o respeito mútuo, o livre debate e a busca da ação comum.

É por isso que a 4ª Internacional e suas seções combatem sob formas diversas em cada país pela construção de partidos operários independentes e pela independência de classe das organizações dos trabalhadores.

É por isso que a 4ª Internacional e suas seções combatem em cada país e à escala internacional pela frente única dos trabalhadores e de suas organizações, pela ruptura com o sistema de exploração, por planos de emergência e de proteção da população trabalhadora, pela defesa da soberania das nações.

 

A 4ª Internacional fundada em 1938 por Leon Trotsky, reproclamada em 1993, não pretende ter soluções prontas para o difícil combate do povo explorado. Ela vos propõe uma bandeira sem manchas. Ela vos chama ao combate para vencer e viver.

A 4ª Internacional vos convida a participar, na forma que considerarem necessárias, à preparação de seu 7º Congresso Mundial.

 

 

25 de Outubro de 2008